3.1.13

Muito além do ateísmo: Deus (não) inexiste



A maioria dos ateus não vão além do segundo nível de pensamento, o da negação simples. Eles se recusam a ir além, a questionar seriamente o chão debaixo dos seus pés. E, mantendo, conscientemente ou não, suas suposições injustificadas, eles acabam rejeitando muito pouco.

A análise é de Paul Wallace, ex-professor de astronomia e física do Berry College, em Rome, na Geórgia, nos EUA, e mestrando em teologia pela Candler School of Theology, da Universidade de Emory, em Atlanta. O artigo foi publicado no sítio Religion Dispatches, 14-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No ano passado, eu fiz uma apresentação em uma faculdade sobre ciência e fé. Falei da minha atração à chamada teologia negativa ou apofática. Essa teologia é mais proeminente nas Igrejas orientais, mas está definitivamente presente no Ocidente também e constrói-se a partir da teologia mais convencional, quebrando-a em uma série de negações sistemáticas. Pode parecer estranho – o fato de ela se construir pela negação –, mas esse é um paradoxo importante

Após a apresentação, um colega levantou a mão e perguntou como essa teologia difere do ateísmo. Fiquei surpreso, mas não porque a sua pergunta me ofendeu. Ao invés disso, chamou-me a atenção o quão bem o questionador havia entendido o que eu havia dito. Enrolei um pouco, sem saber o que dizer a ele. Escapei com algumas observações enigmáticas, como: esta teologia está além do ateísmo. Eu não disse isso sem querer, embora não o tenha entendido na época. Mas agora sim.

Ateísmos muito simples

Foi um cavalheiro chamado Denys Turner que me ajudou a descobrir. Turner é professor de teologia da Universidade de Yale. Na semana passada, li um impressionante ensaio seu chamado "Apofaticismo, idolatria e as alegações da razão". Nele, ele conta esta história.

"Alguns anos atrás, e em dias jovens e mais temerários, encontrando-me em um beco sem saída em um debate público com um filósofo ateu da Universidade de Bristol, eu fiz uma aposta com o público: eu daria a qualquer um dos presentes cinco minutos para explicar sua razões pelo ateísmo, e se, depois disso, eu não conseguisse adivinhar a denominação cristã em que essa pessoa havia sido criada, eu lhe pagaria uma cerveja. Para a minha sorte, eu não fiquei sem dinheiro."

Acontece que ele não ficou sem dinheiro porque ninguém aceitou a aposta. Mas a história aponta para uma ideia muito interessante que Turner detalha ao longo de seu ensaio: o ateísmo dos ateus mais comprometidos e de princípios muitas vezes não é mais do que imagens espelhadas – inversões – dos teísmos que eles negam. Em "Sobre a Interpretação",Aristóteles escreveu: "As afirmações e suas negações correspondentes são um no mesmo conhecimento". Portanto, pode-se inferir dos muitos ateísmos suas teologias afirmativas correspondentes.

Turner também escreve que, muito frequentemente, os teísmos atacados pelos ateus não são muito interessantes. Portanto, os ateísmos dos ateus mais comprometidos e de princípios não são muito interessantes. O porquê disso não fica claro. Talvez seja porque, em muitos casos, o teísmo foi abandonado antes de lhe ter sido dado tempo para se transformar em algo de substância.

"Os ateus rejeitam muito pouco", escreve Turner: "É por isso que os seus ateísmos não possuem interesse teológico. O rotineiro ateu de princípios apenas brinca com a religião". Essa afirmação, com a qual eu concordo, será desenvolvida no restante deste ensaio. Para falar mais especificamente sobre isso, decidi investigar as crenças declaradas de um único ateu. Como tenho alguns livros de Richard Dawkins na minha estante da sala de estar, e como o seu ponto de vista é conhecido por muitos, me decidi por ele.

O teísmo invertido de Dawkins

Em "Deus, um delírio", Dawkins apresenta seu argumento central contra a existência de Deus no quarto capítulo. Seu pensamento é algo como: o universo é algo complexo. Portanto, o Deus dos cristãos, que – dizem os cristãos – fez o universo deve ser pelo menos tão complexo quanto o universo que Deus fez. Assim, ficamos com um problema ainda maior do que antes: quem fez esse Deus ultracomplexo? Um mega-Deus hipercomplexo? Faz todo o sentido, de acordo com a navalha de Occam, parar antes de chegarmos ao primeiro Deus. O universo complexo é o suficiente. Logo, muito provavelmente, Deus não existe.

Esse argumento – que se resume a "Bem, quem fez Deus, então?" – pressupõe que Deus é uma coisa como qualquer outra. Assume-se que Deus deve existir da mesma forma que a lua existe, da mesma forma que o próprio Dawkins existe. Como Terry Eagleton escreveu na sua agora infame resenha (disponível aqui, em inglês) de "Deus, um delírio", Dawkins parece pensar que Deus é "um superobjeto celestial ou um OVNI divino", uma criatura assim como outras criaturas, só que maior e mais inteligente: uma espécie de übercoisa, mas ainda assim uma coisa.

Se Deus é uma coisa como qualquer outra, então seu argumento é realmente bom: qualquer máquina fazedora de coisas, que é em si mesma uma coisa assim como qualquer outra, deve ser pelo menos tão complexa como a coisa que ela faz. No caso de Deus, o problema é pior, por causa da alegação cristã padrão de que Deus não apenas criou o universo, mas o sustenta também. Então, se Deus é uma coisa como as outras, então a ideia de Dawkins está bem elaborada.

Mas em nenhum momento Dawkins sai de si mesmo e pergunta: a minha suposição de que Deus é uma coisa como qualquer outra é realmente necessária? Ou em que se baseia essa suposição? De onde ela vem?

A verdade é que, apesar de todas as suas afirmações em contrário, Dawkins é um fundamentalista. No prefácio à edição de bolso de "Deus, um delírio", ele tenta distinguir-se dos fundamentalistas religiosos, afirmando que "nada vai mudar suas opiniões". Isso é verdade. O fundamentalista religioso médio é dogmaticamente rígido e fixado. A seu ver, no entanto, Dawkins é um modelo de humildade de mente aberta. Ele escreve: "Se todas as evidências do universo se colocassem a favor do criacionismo, eu seria o primeiro a admiti-lo e imediatamente mudaria de opinião". Mas Dawkins ignora completamente o verdadeiro problema, que não tem nada a ver com o criacionismo ou a evolução.

O que está em questão aqui é que Dawkins se recusa a examinar o campo em que ele se encontra: a própria ciência. Isto é, Dawkins pode mudar de ideia sobre a evolução, mas nada vai mudar a sua opinião sobre a ciência. Ele nunca vai questionar – de forma séria – a suficiência da ciência como um guia para a verdade. Talvez ele pense que o sucesso da ciência torna-a uma escolha óbvia no que se refere à fundamentação da sua visão de mundo. O que ele não faz e não iráconsiderar é a possibilidade muito real de que a ciência é muito bem sucedida, precisamente porque é muito limitada. Rejeitar essa possibilidade de antemão nada mais é do que preguiça intelectual. Dawkins é dogmaticamente rígido e fixado. Ele é um fundamentalista.

Ele deve ser um fundamentalista, porque a única teologia que ele já atacou com sucesso foi o fundamentalismo, um alvo vergonhosamente fácil. Mas é a única teologia que ele conhece, a única teologia que ele pode imaginar. Portanto, para Turner, é a única teologia que o seu próprio ateísmo está equipado para negar, o que ele mesmo demonstra de forma muito bonita no capítulo três de "Deus, um delírio". Essa é a parte do livro na qual ele aborda e rejeita sumariamente, em menos de dez páginas e com toda a sutileza de uma roda de ferro, a obra de Tomás de Aquino e de Anselmo de Cantuária. Ao contrário desses teólogos, Dawkins se recusa a sair de si mesmo e a ter um olhar crítico sobre suas próprias suposições.

"Bem", se poderia rebater, "as pessoas religiosas também se recusam a sair de sua própria religião e a criticar seus pontos de vista". Esse seria um argumento muito bom se fosse verdade.

O caminho negativo

Há, na teologia cristã, uma grande tradição de negar "Deus". Ao dizer isso, me refiro à negação de tudo o que pensamos saber sobre Deus, todos os conceitos que carregamos sobre Deus, toda a imagem que imaginamos de Deus, tudo o que Deus "é" nós. Para demonstrar como isso funciona, vamos considerar três níveis de afirmações sobre Deus. Além disso, serão utilizadas quatro imagens diferentes de Deus da Bíblia: a) Deus é uma chama, b) Deus é um rei, c) Deus é amor ed) Deus é o próprio ser (Eu Sou). Estas quatro imagens são apresentadas por ordem crescente de abstração.

O primeiro nível de falar sobre Deus é a afirmação simples. É típico dos cristãos usar declarações como as acima mencionadas ao falar sobre Deus. Essa é uma teologia catafática ou positiva convencional. Essa é a forma como quase toda a teologia popular do Ocidente é feita, seja no culto, nas devoções pessoais ou no estudo bíblico. Essas são declarações positivas, que significam o que os teólogos chamam de "Deus dos Atributos", isto é, o Deus que pode ser nomeado.

O segundo nível é negação simples, à maneira de Aristóteles. É menos comum para os cristãos negar as coisas de Deus, mas isso se faz. Acho que todo cristão concordaria que Deus não é uma chama, realmente, nem que Deus é o membro dirigente do sexo masculino de uma família real. Esses são casos óbvios de negação que não deveriam causar nenhuma dificuldade qualquer. É um pouco mais difícil para os cristãos dizer coisas como "Deus não é amor", mas os teólogos disseram coisas como essas durante séculos e queriam dizer isso mesmo também. O que isso significa é que Deus não é aquela sensação cálida ou mesmo aquele estado da vontade sinceramente centrado no outro que muitas vezes leva o nome de amor. Seja qual for a nossa mais alta concepção do amor, Deus não é bem isso.

O terceiro nível é o mais difícil, mas o mais importante. Essa é a segunda ordem de negação, ou a inversão da inversão. Aqui nós diríamos: "Deus não é uma chama, mas Deus também não é uma não-chama" e "Deus não é amor, mas Deus também não é não-amor". Deus transcende a distinção (baseada no ser humano) entre o amor e o não-amor. Obviamente, o que está acontecendo aqui é uma tensão deliberada da lógica verbal. Pode parecer como mera ginástica ou jogo mental, mas tem um propósito muito sério: questionar e testar a linguagem, sair de nós mesmos e nos perguntar o que estamos fazendo ao falarmos de Deus, criticar o próprio campo em que a teologia está, procurar esse lugar – se é que há um lugar – onde os conceitos falham.

Também nesse terceiro nível encontra-se a insistência, feita durante séculos pelos teólogos de toda a cristandade, de que Deus transcende a distinção entre o ser e o não-ser. Portanto, se usamos a definição convencional de existência, Deus não existe. Nossa categoria de existência não se aplica a Deus. Dito de outra forma, a palavra "existir" não pode ser usada univocamente para coisas e para Deus. Essas são categorias artificiais imaginadas e usadas pelos seres humanos. Elas não são manifestamente atributos divinos. No final, falando corretamente, não existem atributos divinos, o que significa que Deus não é diferente da criação, e que Deus também não é não-diferente da criação. Isto é, em Deus, não há distinção alguma, nem existe não-distinção. Nenhuma afirmação ou negação aplica-se corretamente a Deus.

Note-se que este segundo sentido da negação, a "negação da negação", não nos traz de volta simplesmente às nossas declarações positivas, por exemplo, de "Deus não é amor" de volta para a afirmação original, "Deus é amor." Ao invés disso, ela desafia a própria base do nosso pensamento e diálogo discursivo: linguagem e imagem. Ele arranca de nós as nossas suposição tácitas de que a linguagem e a imagem são suficientes para descrever a realidade.

O fim do assunto: "Todo tipo de ateu"

Agora eu posso explicar o que eu quis dizer quando falei àquele colega da faculdade que a teologia negativa está além do ateísmo: a maioria dos ateus de princípios não vão além do segundo nível de pensamento, o da negação simples. Eles se recusam a ir além, a questionar seriamente o chão debaixo dos seus pés. E, mantendo, conscientemente ou não, suas suposições injustificadas, eles acabam rejeitando muito pouco.

Há previsíveis contra-argumentos. Em primeiro lugar, pode-se dizer que esse tipo de teologia representa as crenças de apenas uma pequena fração dos cristãos. Os ateus focam justamente sobre a teologia mais convencional do paroquiano médio. Mas os ateus dizem que o cristianismo é falso, que Deus não existe. Pedir-lhes que defendem sua posição à luz de uma teologia madura nada mais é do que tomá-los pelas suas palavras e respeitar a sua inteligência.

Além disso, pode-se dizer que a teologia negativa é uma mensagem sem conteúdo e inútil, pois anula o uso do pensamento racional. Em certo sentido, esse é um argumento válido. Mas pode-se ir além da teologia negativa tendo em mente as suas lições. De fato, a teologia negativa constitui o sistema nervoso central, digamos, de toda a "Summa Theologica" de Tomás de Aquino, que Dawkins zomba de forma tão feliz e ignorante. Nessa obra, Tomás emprega a linguagem analógica para falar livremente sobre os atributos de Deus, sem a possibilidade de confundi-los com os atributos, digamos, do fogo, da realeza, do amor ou do ser.

Finalmente, pode-se dizer que a teologia negativa é apenas um jogo de mente que não tem nada a ver com a realidade. Certamente, as pessoas que fazem tal teologia nunca deixam realmente de acreditar em Deus. Se isso fosse verdade... A linguagem da teologia apofática é o tipo de discurso que faz o que diz, por isso, quando alguém diz ou escreve "Deus não existe" e gasta seu tempo com essa suposição, elaborando todas as suas consequências, tem o efeito de remover "Deus" da sua vida. Isso pode acontecer de forma lenta ou rápida, mas acontece. Esse é um dos aspectos mais poderosos da teologia negativa: ela limpa a mente não apenas das suposições sobre Deus, mas sobre os ídolos (como a ciência, por exemplo) que podem facilmente substituir Deus.

A maioria dos ateus rejeitam muito pouco. Eles só têm que ser um tipo de ateu: o ateu que se posiciona contra um tipo de superobjeto ridículo no céu, que se posiciona contra uma teologia infantil. Os cristãos, que, como os judeus, são mandados a não ter deuses diante de Deus, a não ter o luxo de desacreditar em tão poucas coisas. Nas palavras de Turner, "a fim de negar qualquer tipo de idolatria possível, um cristão deve ser todos os tipos de ateu possíveis". Somos mandados a ter fé não em alguma coisa, absolutamente. Somente então a nossa fé terá alguma chance de encontrar seu verdadeiro repouso em Deus.

Retirado de: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-anteriores/39406-muito-alem-do-ateismo-deus-nao-inexiste
Em: 03/01/2013

PAPA PAULO IV - E AS COMUNIDADE NEO-CATECUMENAIS


Vaticano (Audiência) 12/01/1977

(Paulo VI. Audiência geral de 12 de janeiro de 1977. – Texto extraído da gravação da Rádio Vaticana).

A presença, digamos, a esta audiência de um grupo considerável por seu número – estar quase só vós – e pela dignidade dos participantes – os vossos dirigentes e sobretudo o grupo de bispos que trouxestes – pertencentes às Comunidades Neocatecumenais Nos oferece a oportunidade de chamar a atenção de nossos visitantes e de todos os que se juntam à audição desta nossa palavra familiar sobre dois acontecimentos da Igreja católica, ou seja, o Sínodo do episcopado de 1974, três anos faz, que então teve como tema a evangelização; a evangelização em nosso tempo, como se faz agora para propagar o Evangelho: este foi o tema do Sínodo de 74, que deu matéria à Nossa posterior Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, que foi publicada no dia 8 de dezembro de 75. Se tivéssemos a pretensão de fazer propaganda de Nossos documentos, até que Nós vo-lo recomendaríamos, pois é um documento denso, em grande parte tributário a tudo o que os bispos disseram no Sínodo. Procurei interpretar e reunir todas as idéias deles, ordená-las e torná-las acessíveis numa linguagem o mais simples possível, mas também o mais importante e claro possível, o que, repito, Nos faz ousar recomendá-lo especialmente a vós, que quereis ser os neocatecumenais, ou seja, que quereis levar instrução, evangelização a essas grandes multidões de que conseguis vos aproximar. Creio que seria bom para vós e bom para vossos educandos, para vossos discípulos.


O segundo acontecimento, por sua vez, é ainda futuro, ou seja, acontecerá este ano, a partir de 30 de setembro: o outro Sínodo do episcopado. Teremos aqui cerca de duzentos bispos que vêm de todas as partes do mundo, nomeados pelas respectivas Conferências episcopais. Qual será o tema? O tema retoma o da evangelização sob um outro aspecto, ou seja, o do "catecismo"; como se ensina a religião, especialmente às crianças, aos adolescentes, à juventude e também aos homens maduros nesta época de nossa civilização; e como alguém se torna catequista. Foram os bispos que quiseram esse tema. Nós o retomaremos e desenvolveremos; isto para dizer que vós, catecumenais, sois gente da atualidade.


Isso demonstra que a consciência da missão fundamental da Igreja, que é a de difundir a mensagem evangélica, segundo a última prescrição de Jesus no final de Sua presença visível nesta terra – quais foram suas palavras? Ide e pregai! “/de e ensinai todas as nações” – essa consciência, repito, está vigilante e opera na nossa Igreja de hoje. Ao analisarmos a história que passou e caracterizou os períodos da Igreja, quantas vezes se diz: “Mas de que se ocupavam?”; ou era a guerra entre tais Estados ou eram realmente tais questões dogmáticas etc. que interessavam sim ou não à opinião pública e ao apostolado pastoral. A Igreja voltou a considerar suas funções e seus deveres pastorais, e o primeiro dever pastoral é o de anunciar o Evangelho e de ir ao encontro do mundo e dizer: “Vejam, eu lhes trago a mensagem, a mensagem que os anjos trouxeram à terra: ‘Glória a Deus e paz na terra’”, e depois a mensagem de Cristo, anunciar o Evangelho, ou seja, a boa palavra que Jesus Cristo nos ensinou.

A edificação do Corpo Místico de Cristo sobre a terra, que é a nossa Igreja presente, é dever, como diz o Concílio, não apenas dos padres, dos bispos etc., mas de todo fiel. Cada qual tem de ser testemunha, deve saber traduzir, pelo menos com o exemplo e com seu apoio, a mensagem de que é depositário. Não existe um cristão mudo, não existe um cristão estéril, não existe um cristão que viva para si. Deve viver para a comunidade, para o Corpo
Místico, que se chama Igreja.


Nessa ótica, é claro, é desejável que se vão multiplicando os esforços para realizar este imenso e urgente programa: evangelizar, catequizar. Há muitas iniciativas paralelas e um tanto semelhantes à vossa, e se assiste ao florescimento de obras e de meios para dar ao anúncio da mensagem evangélica a sua melhor difusão e interpretação, poderíamos dizer.


Nós observamos que esse multiforme fenômeno da Santa Igreja não diz respeito apenas ao aspecto escolástico, didático de suas atividades. Não é apenas o ensinamento de um mestre a um aluno. Mais que isso. É aquele ensinamento mais amplo, mais pedagógico e mais vital, que diz respeito também ao estilo de vida, no qual o ensinamento da verdade religiosa é paralelo ao escolar e, mais ainda, está unido à profissão de vida, da qual, precisamente, o ensinamento é norma e princípio.


Notaremos em segundo lugar que esse dever não assume em quem o realiza e também em quem por ele é beneficiado o caráter de um grande e difícil peso, embora na realidade ele o seja. Uma das grandes dificuldades que os padres encontram, qual é? Simplesmente não aparecem! Ou dizem: que coisa chata ouvir a pregação, assistir à aula, aprender o catecismo. Eu me canso, eu gosto de ir passear, ir ao cinema, jogar bola etc. Mas, enfim, essa Igreja que ensina toma-se assim tão enfadonha? Não é assim! Dizemo-lo a nós mesmos e o dizemos também a nosso povo. Quem entendeu o segredo da verdade que nossas palavras contêm fica como que fulminado por essa luz, por essa verdade e se transforma tanto no apóstolo - o padre ou o anunciador como no discípulo que escuta: "Julgava que não fosse assim tão bonito. Ah! Mas é verdade, veja só Abre-se, repito, um horizonte de luz e de beleza que era quase imprevisto. O cumprimento desse difícil dever se toma uma honra, toma-se uma felicidade, toma-se uma vocação que enobrece e engrandece.

Gostaria de perguntar, se há missionários em vosso meio, por que vos tomais missionários? Porque sois estimulados pelo sentido do Evangelho, que é anunciar a verdade, anunciar o segredo da vida, os desígnios de Deus, as esperanças que não morrem! É tudo de uma tal beleza que não há como escapar, e nos sentimos chamados a ser também nós apóstolos e anunciadores dessa verdade!


O cumprimento desse dever de anunciar não é mais enfadonho, assim como o de escutar, não mais um fastídio. Traz em si mesmo o ressarcimento da fadiga que comporta e toma felizes suas testemunhas, toma-as seguras, toma-as participantes, antecipadamente, dos bens daquele Reino de Deus que eles vão anunciando. Na posição que ocupamos, aqui no centro da Igreja, temos de receber muitos que vêm de longe, das missões. É sobretudo a estes que recebemos com muito prazer e nós os deixamos falar para ouvirmos seu testemunho. Alguns têm enormes dificuldades, não se sabe como podem viver, safar-se, vencer as doenças, as inimizades, os perigos etc. Eu vos conto isto, todavia, para que fiqueis contentes também vós. Quando eles falam e definem a si mesmos, falam de uma felicidade que não tem comparação com as outras felicidades do mundo. E se ousamos dizer: “E o Sr. gostaria de ficar aqui ou quer retomar?”, “Voltar,voltar!”.E lá se vão em meio a dificuldades imensas, porque estão tomados da alegria do Evangelho.


Então, podemos dizer que aqueles que se põem a serviço da evangelização com um coração simples e generoso passam – certamente por um oculto, mas infalível carisma do Espírito Santo – por uma metamorfose psicológica e moral que é característica. É aquela metamorfose e aquela mudança que transformam as dificuldades em estímulos. Repito aquilo que dizia antes: os missionários, por que retomam? Porque há muito o que fazer, porque têm eles aquela pobre gente para consolar, porque estão em perigo: "Eu devo ir curar os leprosos, eu devo ir evitar que aquela pobre gente seja dominada por outros movimentos sociais e se torne escrava de situações intoleráveis". A dificuldade, o obstáculo se torna uma sedução. O que antes dava medo, aborrecia, causava fastio, depois se torna, ao contrário, a força de atração, que compromete, que une, e que faz do apóstolo – digamos a grande palavra, mas dita em sentido geral – um “mártir”, ou seja, uma testemunha.


E é maravilhoso esse fenômeno. E quem sabe ver os fenômenos da Igreja – Nós temos essa responsabilidade e essa felicidade – não pode deixar de dizer: graças, meu Deus, que me deste essa visão, a graça de ver justamente tantos que são entusiastas do Evangelho, do Evangelho difícil, do Evangelho penoso, do Evangelho que custa, do Evangelho que não rende, do Evangelho que se choca contra todas as mentalidades e todos os vícios e obstáculos do mundo. O Evangelho, repito, torna felizes todos aqueles que o pregam e transforma as dificuldades em estímulos, os perigos em atrações, e as próprias derrotas – parece um paradoxo –, as próprias derrotas, ou seja, o não ter sucesso, em títulos de mérito (fiz, porém, o que podia!) e, portanto, também de paz, que desce serena a esses corações que não tiveram nem sequer a satisfação do resultado de suas fadigas.


Agora podemos compreender também o testemunho que os nossos visitantes de hoje nos oferecem: ele se desenvolve em torno do eixo da vida cristã, que é o Batismo.

A palavra "Catecumenato" se refere ao Batismo: Catecumenato era o período de preparação para o Batismo. Agora o Batismo não tem mais, ao menos de modo amplo e didático, esse desenvolvimento. E então estes [os Neocatecumenais] dizem: “Pois bem, faremos isso depois do Batismo”. A graça santificante não foi suficiente. Mais, a graça santificante não fez senão acender um fogo que depois deve ser iluminador e se propagar na vida. Santo Agostinho faz referência a isso: "Não podemos antecipar? façamos depois oCatecumenato", ou seja, a instrução, o acabamento e a educação, toda a parte educativa da Igreja, depois do Batismo.


O sacramento da regeneração cristã deve voltar a ser o que era na consciência e no costume das primeiras gerações do cristianismo. A práxis (a prática, não é verdade?) e a norma da Igreja introduziram o santo costume de conferir o Batismo aos recém-nascidos. Que instrução têm? Há mister de um padrinho que supra o batizando e fale em nome dele. Mas o batizado não tem nenhum proveito com essa declaração que faz o padrinho ao sacerdote, pois o rito batismal concentra agora liturgicamente – a Liturgia conserva ainda os traços dessa iniciação preparatória – à preparação que nos primeiros tempos, quando a sociedade era profundamente pagã, precedia o Batismo e que se chamava Catecumenato. Depois, a Igreja concentrou esse período. Por quê? Porque as famílias eram todas católicas, eram todas boas, todas cristãs, a sociedade era no fundo orientada cristãmente. Aprenderão ao longo do caminho.


Mas agora que a nossa sociedade não é mais uniforme e homogênea, é pluralista, e até, em si mesma, está cheia de contradições e de obstáculos ao Evangelho, esse método, no ambiente social de hoje, tem necessidade de ser, dizia eu, completado por uma instrução, por uma iniciação posterior, no estilo de vida próprio do cristão. Essa instrução deve suceder ao Batismo.


É este o segredo de vossa fórmula, ou seja, dá assistência religiosa, proporciona um treinamento prático para a fidelidade cristã e realiza uma inserção efetiva na comunidade dos crentes. que é a Igreja, depois que alguém já entrou efetiva e sobrenaturalmente na Igreja,embora isso tenha sido como uma semente que não teve ainda a oportunidade de se desenvolver.


E nós nos alegramos ao ver que essa necessidade é hoje compreendida pelas estruturas eclesiais institucionais, as paróquias, de modo especial as dioceses, bem como por todas as outras famílias religiosas. E nesse campo estrutural, como disse, são fundamentais as paróquias.


Tem-se a perspectiva assim de uma catequese que se segue à que o batismo não teve. Vai se delineando “a pastoral dos adultos”, como se diz hoje, que cria novos métodos e novos programas. A seguir, novos ministérios – que grande necessidade se tem de quem dê assistência: são os catequistas, são as próprias irmãs, são as famílias que se tornam também elas mestras dessa evangelização posterior ao Batismo – novos ministérios subsidiários sustentam a mais exigente assistência do sacerdote e do diácono no ensino da liturgia e na participação desta, novas formas de caridade, de cultura e de solidariedade social aumentam a vitalidade da comunidade cristã, apresentando diante do mundo sua defesa, sua apologia e seu encanto.


Muita gente se volta para essas Comunidades Neocatecumenais porque vê que nelas há sinceridade, há verdade. Há alguma coisa viva e autêntica: é Cristo que vive no mundo. Que isso aconteça com a Nossa bênção apostólica.

Retirado de : http://www.camminoneocatecumenale.it/new/papa.asp?id=232&a=82
Em 03/01/2013

O Caminho Neocatecumenal



Na Igreja primitiva, quando o mundo era pagão, quem desejava ser cristão devia iniciar um itinerário de formação e de preparação ao Batismo, chamado "catecumenato". Hoje o processo de secularização tem levado muita gente a abandonar a fé e a Igreja. Por isso, faz-se necessário um itinerário de formação cristã ;.

O Caminho Neocatecumenal não é um movimento ou uma associação, mas um instrumento das paróquias a serviço dos Bispos, para iniciar, renovar e amadurecer na fé tantas pessoas que se encontram longe da Igreja.

O Caminho Neocatecumenal começou por obra de Kiko Argúello e Carmen Hernandez, na década de 1960, em Palomeras Alta, uma das favelas mais pobres de Madri. Na mesma época, o Caminho foi confirmado e apoiado pelo então Arcebispo de Madri, Casimiro Morcillo, que constatou, na primeira comunidade de Palomeras, uma verdadeira redescoberta da Palavra de Deus e uma concretização da renovação litúrgica, então fomentada pelo Concílio Vaticano II.

Com base na experiência positiva das igrejas de Madri, em 1974 a Congregação para o Culto Divino adotou o nome de Caminho Neocatecumenal para essa nova experiência de iniciação cristã.

Trata-se de um caminho de conversão em que é possível redescobrir as riquezas do Evangelho. Em cinco décadas, o Caminho difundiu-se em mais de 900 dioceses e 105 nações, com mais de 20 mil comunidades espalhadas em 6.000 paróquias.

Em 1987, abriu-se em Roma o seminário missionário internacional "Redemptoris Mater", que forma jovens cuja vocação sacerdotal missionária tem amadurecido em uma comunidade neocatecumenal e que estão dispostos a partir em missão para qualquer parte do mundo. Mais tarde, outros Bispos acolheram a experiência de Roma. Hoje, no mundo, há mais de 70 seminários diocesanos missionários "Redemptoris Mater". Neles estão sendo formados mais de mil seminaristas.

Recentemente, em resposta ao convite do Papa para uma nova evangelização, muitas famílias do Caminho se ofereceram para ajudar a missão da Igreja. Essas famílias doam suas vidas para viverem em regiões secularizadas e descristianizadas do mundo inteiro, preparando o surgimento de novas paróquias missionárias.


Retirado de : http://www.camminoneocatecumenale.it/new/default.asp?lang=pt
Em: 03/01/2013

5.8.12

7 virtudes


Ordenadas em ordem crescente de santicidade, as sete virtudes sagradas são:
Auto-satisfação, simplicidade. Abraçar a moral de si próprio e alcançar pureza de pensamento através de educação e melhorias.
Despreendimento, largueza. Dar sem esperar receber, uma notabilidade de pensamentos ou ações.
Auto-controle, moderação, temperança. Constante demonstração de uma prática de abstenção.
Presteza, ética, decisão, concisão e objetividade. Ações e trabalhos integrados com a própria fé.
Serenidade, paz. Resistência a influências externas e moderação da própria vontade.
Auto-satisfação. Compaixão, amizade e simpatia sem causar prejuízos.
Modéstia. Comportamento de total respeito a Deus e em segundo lugar ao próximo.


TEMPERANÇA


A temperança (em grego: σωφροσύνη, sophrosyne, em latim: temperantia) é uma das virtudes ditas universais, uma das quais propostas pelo cristianismo. Temperança significa equilibrar, colocar sob limites, "moderar a atracção dos prazeres, assegurar o domínio da vontade sobre os instintos e proporcionar oequilíbrio no uso dos bens criados" (CCIC, n. 383). Essa virtude serve para controlar o pecado da gula. É também uma das 4 virtudes cardinais.

CARIDADE:
A doutrina católica classifica a caridade como uma das virtudes teologais e uma das sete virtudes. Tem o mesmo significado que o Ágape. É um sentimento que pode ter dois sentidos, o sentimento para si mesmo, e ao próximo.
O Cristianismo afirma que a caridade é o "amar ao próximo como a si mesmo". E afirma que se uma pessoa não se amar adulterando e mentindo a si mesma sobre as coisas que a rodeia, defendendo somente o seu ponto de vista sem pensar no ponto de vista divino, pode estar "amando" o seu próximo, mas da sua maneira, pois quanto mais buscar o esclarecimento divino sobre como amar a si mesma, maior poderá ser o amor desta pessoa pelo seu próximo.
E afirma que nos dias atuais muitos estão buscando a Cristo, mas da sua "maneira", não procurando arrepender de suas acções, pois em si mesmos não acham culpa alguma, pois defendem os seus próprios pontos de vista. Esquecem-se que o salário de pecado é a morte, e quem não se ama (caridade) peca, pois quem exerce a caridade, não peca, pois acaba amando à Deus mais do que a si mesma, ouvindo assim a sua voz e colocando em prática a Verdade que recebe. Dizendo, que quem ama a Cristo, confirma também o Senhorio de Cristo sobre a si mesma, abandonando tudo por Ele, pois um Servo abandona tudo pelo seu Senhor, vivendo somente para ele.
Aliás, Jesus Cristo ordenou: "Amar a Deus sobre todas as coisas", isto para os cristãos constitui a parte fundamental da caridade.
Quem tem o amor, prova, não somente com palavras mas sim com ações. Abrindo mão dos costumes dos gentios por amar a Deus sobre todas as coisas, seguindo a sua voz e os seus mandamentos.
Resumindo e usando as palavras do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei. A caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14) e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela «não sou nada» e «nada me aproveita» (1 Cor 13,1-3)".[1]
São Paulo disse que, de todas as virtudes, "o maior destas é o amor" (ou caridade).[2] O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar".[3]

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_virtudes

Os sete pecados capitais


Sete Pecados Capitais
O conceito do pecado é usado na tradição judaico-cristã para descrever a transgressão do homem diante da Lei de Deus, à desobediência deliberada diante de um mandamento divino.
O conceito do pecado nas grandes religiões monoteístas, judaísmo, cristianismo e islamismo, embora sempre visto como a inclinação humana em errar contra a perfeição divina, tem interpretações diferentes. O judaísmo descreve o pecado como uma violação da Lei, não sendo visto propriamente como uma falta moral; para os hebreus o pecado é um ato, não um estado da alma do homem, não passando de geração em geração, já que o homem é dotado de vontade livre. Para os cristãos católicos, o pecado é a herança que o primeiro homem, Adão, deixou para todas as gerações. É o pecado original, que diante da rebelião de Eva e Adão contra Deus, causou todos os males do mundo. O pecado original, visto que Adão era perfeito, só poderia ser expiado por outro homem perfeito, no caso Jesus Cristo, que não concebido da estirpe imperfeita de Adão e Eva, redime a humanidade diante do seu sangue derramado.
Na doutrina católica, três pecados são assinalados
O pecado original, vindo da rebelião de Adão e Eva no Éden, e transmitida para todas as gerações da humanidade; o pecado mortal, desobediência do homem após adquirir o perdão do pecado original através do batismo, que o leva à morte da alma; e, o pecado venial, cometido pelo homem quando em estado de ignorância das leis, digno do perdão divino. Através desses conceitos, a igreja católica classificou o que hoje é conhecido como os sete pecados capitais.
Os sete pecados capitais precedem ao próprio cristianismo, sendo vícios que se conhecia na antiga cultura grega, adaptados quando se deu a helenização dos preceitos cristãos.
Os sete pecados capitais não são encontrados enumerados nas escrituras sagradas judaico-cristãs. A Bíblia refere-se a todos eles e muitos outros de forma dispersa. Eles só vieram a ser classificados e agrupados pela igreja medieval, a partir do século VI, pelo papa Gregório Magno (540-604), que tomou como referências as cartas apostólicas de Paulo de Tarso. Gregório Magno considerou os sete pecados como mortais, que ao contrastar com os veniais, significavam a morte da alma.
Capital, do latim caput (cabeça), significa que os sete pecados são os mais altos de todos os outros, sendo eles
A soberba, a ira, a inveja, a avareza, a gula, a preguiça e a luxúria.
Para combater cada pecado capital, foram classificadas sete virtudes
A humildade (soberba), a paciência (ira), a caridade (inveja), a generosidade (avareza), a temperança (gula), a disciplina (preguiça) e a castidade (luxúria). Mais do que um conceito geral da oposição do homem à Lei divina, os sete pecados capitais é uma visão moral dos princípios do cristianismo católico e da igreja que ele representa.

As Listas dos Sete Pecados Capitais

Sete Pecados Capitais
A classificação dos sete pecados capitais tem como raiz velhas tradições dos vícios apontados pela filosofia grega, mescladas às cartas apostólicas cristãs. Com a conversão de Roma ao cristianismo, esta religião perde grande parte da sua essência judaica, sofrendo uma helenização que lhe acrescentaria princípios filosóficos vistos como pagãos. Se para os gregos havia a ausência do pecado, as virtudes eram perseguidas como um ideal. Aristóteles mencionava as virtudes como princípio fundamental da busca da felicidade humana. No ascetismo do cristão medieval, o politeísmo grego é substituído pela Lei de Deus, transgredi-la era pecar contra o amor com o qual o Criador nos concebera. Assim, os pecados capitais são extremos opostos às virtudes, que, ao contrário do que pensavam os gregos, não servem para a felicidade do homem medieval, mas para salvar-lhe a alma.
Na origem mais remota da lista dos sete pecados capitais, está a classificação do grego Evágrio Pôntico (346-399), um monge cristão e asceta, que fez parte da comunidade monástica do Baixo Egito, vivendo as suas experiências ao lado dos homens do deserto. O monge traçou as principais doenças espirituais que afligiam ao homem, chamando-as de os oito males do corpo.
Os oito crimes ou paixões humanas constavam na lista de Evrágio Pôntico em ordem crescente, conforme o que ele pensava ter mais gravidade, sendo eles: A gula, a avareza, a luxúria, a ira, a melancolia, a acídia (preguiça espiritual), a vaidade e o orgulho.
Na lista, a melancolia, vista pelos gregos como uma enfermidade da saúde, é transformada em pecado. Evágrio Pôntico parte do conceito de que, à medida que o homem fechava-se no egoísmo de si mesmo, os pecados tornavam-se mais intensos e degradantes da alma, atingindo um apogeu com o orgulho ou soberba.
A doutrina de Evágrio Pôntico foi conhecida pelo monge Joannes Cassianus, que a divulgou no oriente, espalhando-a pelos reinos cristãos.
Sete Pecados Capitais
No século VI, o papa Gregório Magno ouviu falar na lista do monge grego, adaptando-a para o ocidente. Gregório Magno reduziu a lista de oito para sete itens. Juntou a vaidade ao orgulho, preteriu a acídia à melancolia, e, adicionou a inveja.
À lista o papa chamou de os sete pecados capitais, sendo eles:
O orgulho, a inveja, a ira, a melancolia, a avareza, a gula e a luxúria.
Gregório Magno usou a sua própria hierarquia na concepção da lista, classificando-a por ordem decrescente, demarcando os pecados que mais ofendiam ao amor.
Os sete pecados capitais foram difundidos pelo mundo cristão medieval, tornaram-se símbolos da agressão do homem contra Deus, e responsáveis pela perda da alma. Várias listas foram elaboradas por teólogos sobre eles. O dominicano Tomás de Aquino fez um grande estudo sobre os sete pecados, dando-lhes princípios filosóficos inspirados na ética grega.
Na sua lista, ele enumera como os sete pecados capitais
A vaidade (soberba), a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a acídia (preguiça).
No contexto final, a igreja católica classificou os pecados humanos em dois tipos, os pecados que podem ser perdoados através de penitencias, sacramentos e confissões; e, os pecados capitais, dignos da perdição e condenação da alma. Popularizados pelo ascetismo do homem medieval, os sete pecados capitais foram exaustivamente difundidos nas artes e nas lendas da época. No século XVII, a igreja subtraiu oficialmente da lista do papa Gregório Magno a melancolia, por considerá-la vaga como pecado, trocando-a pela preguiça.
Por fim, chegou aos nossos dias a seguinte lista de classificação dos sete pecados capitais: A soberba (ou vaidade), a inveja, a ira, a preguiça, a avareza, a gula e a luxúria.

Evolução dos Sete Pecados Capitais no Mundo Contemporâneo

Sete Pecados Capitais
Para cada pecado foi criada uma ligação com o oposto, originando as sete virtudes, que servem de salvação à alma dos pecadores.
São elas
A humildade, que combate à soberba; a caridade, que quando usada neutraliza a inveja; a paciência, virtude que apazigua a ira; a disciplina, que combate qualquer ociosidade da preguiça da alma e do corpo; a generosidade, poderosa virtude oponente à avareza; a temperança, que evita os excessos da gula; e, a castidade, que protege o corpo, invólucro da alma, da luxúria.
Outras associações foram feitas ao sete pecados capitais. Já na Renascença, Peter Binsfeld comparou-os, em 1589, com um respectivo demônio.
Na Binsfeld’s Classification of Demons, seguindo os significados míticos mais usados, a ligação dos sete pecados e os respectivos demônios estão assim enumerados
Lilith é responsável pela tentação do pecado da soberba (vaidade ou orgulho); Leviatã conduz o homem à inveja; Azazel acende a ira na mente humana; Belphegor está ligado à preguiça; Mammon personifica a avareza; Belzebu está relacionado com a gula; e, Asmodeus, o demônio do sexo e da luxúria.
Sete Pecados Capitais
Mesmo sendo classificados e enumerados pela visão moral e religiosa do homem medieval, os sete pecados capitais continuam presentes na cultura ocidental. Embora o homem contemporâneo tenha amenizado o conceito moral de cada pecado como forma de punição e culpa, a igreja católica continua a usá-los como parâmetros de expiação e prevenção. Em pleno século XXI, o Vaticano não só os ratificou, como atualizou a lista, adaptando-a à realidade de um mundo unido pela globalização.
Novos pecados capitais foram acrescentados pelo papa Bento XVI, sendo eles: A manipulação genética; o uso de drogas; a desigualdade social e, a poluição ambiental, entre outros.
A nova lista de pecados capitais apresentada pelo Vaticano deixa clara que o cristão necessitará de pedir perdão, através da confissão, se cometer tais atos. O homem que acometer contra a natureza, o planeta e à vida, continua a ofender a Deus, cometendo os pecados capitais contemporâneos.

Primeiro Pecado – A Soberba

Sete Pecados Capitais
A soberba, ou vaidade, ou orgulho, é considerada a mãe de todos os pecados. Foi através dela que Eva levou Adão à desobediência, na expectativa de que, ao experimentar do fruto da árvore dos conhecimentos, tornar-se-iam superiores e independentes do próprio Criador. A soberba cega o homem, que através dela, enxerga a grandeza através da distorção da ambição.
Ao procurar a perfeição na extremidade da obsessão, o homem perde-se das suas limitações. De forma passional somos levados a procurar a glória, perdendo a essência de Deus no ápice do poder terreno.
Através da soberba, o homem transforma a sua autonomia de escolha e livre arbítrio em vício, enganando-se sobre si próprio, abraçando o orgulho, a insensatez e a vaidade pessoal, desprezando aos que estão à sua volta e à sua cabeça, como o próprio amor a Deus e à Lei.
A soberba leva o homem a augurar a glória através da falsidade; passando a cultivar a cobiça e a hipocrisia do poder; submetendo-se à imprudência do próprio espelho onde mirou a vaidade e a visão distorcida da sua verdade.
A soberba distancia o homem da humildade, a virtude que se opõe a ela. Distanciando-se da virtude, o homem comete o pecado. Oposta à humildade, a soberba impede o homem de conhecer a ele próprio.

Segundo Pecado – A Inveja

Sete Pecados Capitais
Se a soberba faz o homem voltar à vã glória de si mesmo, a inveja leva-o a atingir outrem, tornando-o mesquinho e repleto de atos que o levam à vilania. Um dos sentimentos mais comuns às pessoas, a inveja reduz a grandeza do ser humano, tornando-o infeliz diante da felicidade alheia.
O homem é atingido pela inveja quando se apega à tristeza ante a glória de outrem, sendo movido por uma força súbita e destrutiva que o faz odiar, ou mesmo atentar contra essa glória ou felicidade alheia.
A inveja leva à maledicência, à intriga e ao falso testemunho. É um pecado que pode passar despercebido pelos que estão à volta de quem o comete, pois é acionado muitas vezes de forma sutil. Ter inveja é uma das maiores características da essência humana. Alimentá-la é muitas vezes, acometer gravemente contra os princípios morais e aos desígnios da fraternidade universal.
A inveja não vem somente em forma de ambicionar o que o outro tem, mas de comparar o Eu e o Outro, numa tentativa muitas vezes inconsciente de subtrair as diferenças, nivelando a sensação de não se suportar alguém que se nos ponha à frente. A inveja distancia-se da caridade, a virtude responsável pela magnificência do homem diante do outro.

Terceiro Pecado – A Ira

Sete Pecados Capitais
A ira leva o homem à insanidade dos atos, fazendo-o travar o sentimento de vingança contra aquele que o ofendeu. Fere não só os princípios do amor divino, como um conceito fundamental do cristianismo, o de oferecer a outra face. A ira leva à vingança, à cólera exacerbada e sem limites, que faz com que se ofenda verbalmente o outro, ou mesmo que se agrida e lese corporalmente aquele que a atiçou.
A ira é completa perda da razão, afetando indelevelmente à construção moral humana. É um estado fugaz na desconstrução da dignidade, não fazendo parte constantemente da personalidade humana. Ela pode vir rápida como um relâmpago, transformando-se mortalmente em um raio. Evitá-la requer um conhecimento do homem por ele mesmo. Não se pode confundi-la com o ódio, que se manifesta muitas vezes de forma racional. A ira é um estado ilógico, em que se perde a razão por completo. É uma explosão irracional da alma, movendo-a para o pecado da existência. É o domínio total da emoção sobre a razão.
A ira opõe-se à virtude da paciência, fazendo com que se perca todos os seus elementos. Pode vir em forma de palavras ultrajantes contra o outro, ou de agressão física, muitas vezes de forma perigosa. É uma explosão destrutiva dos sentimentos ruins, muitas vezes arraigados no inconsciente humano. A paciência é uma virtude que combate a ira, para tê-la, é necessário um grande conhecimento do mundo à volta e de si próprio.

Quarto Pecado – A Preguiça

Sete Pecados Capitais
Dotado da inteligência e da autonomia de criar, caminhar, realizar tarefas e prover o próprio sustento, visto que se perdeu a prosperidade do jardim do Éden; o homem tem por obrigação empenhar toda a sua capacidade, fazendo-o com louvor por herdar do Criador a capacidade das suas ações.
Ao quedar-se diante do empenho da própria sobrevivência e labuta, volvendo-se na procura sem limites do repouso e do prazer em nada fazer, o homem omite-se e passa a negligenciar o seu bem espiritual. Então ele comete o pecado secular da preguiça, fazendo da vida um tédio e uma tristeza não somente ao exterior em que se sobrevive, mas ao interior do espírito.
A preguiça leva à indolência do homem, que não se vê capaz de realizar os atos para os quais Deus o criou, deixando-se levar pela inércia e pelo pecado de desprezar a própria vida, fazendo-a morna e sem o seu devido valor divino e sagrado. A preguiça impede o homem de buscar novos conhecimentos, tantos universais como espirituais, limitando as idéias e o iluminismo à sua volta.
O pecado da preguiça faz com que o homem não perceba o momento, mergulhando em um eterno depois às coisas, sem a preocupação de vivenciar a vida que se lhe foi presenteada pela grandiosidade de Deus. A preguiça opõe-se à virtude da disciplina, responsável pela organização e aprendizado humano, tornando-o objetivo diante do que se lhe põe à frente.

Quinto Pecado – A Avareza

Sete Pecados Capitais
O apego e amor exacerbado pelo dinheiro e pelos bens materiais constituem a principal característica da avareza. A vontade insaciável do possuir liga-se profundamente com a cobiça.
O homem avarento inclina-se em juntar para si todos os tipos de bens materiais, guardando-os e preservando-os como se tivessem vida. O coração avaro endurece, fechando-se às necessidades dos outros que giram ao seu redor. O desejo de possuir bens materiais faz parte da essência humana, tomá-lo como objetivo principal aflora o pecado capital da avareza.
O avarento tenta através da busca e preservação dos bens, suprir uma carência afetiva e dificuldade em receber e dar o afeto, fazendo do possuir uma sensação efêmera de vitória e realização. À medida que a avareza toma conta da alma, a insatisfação pessoal ultrapassa ao bem estar material, deixando o avarento inquieto e solitário, preso em uma busca constante de querer para si todos os bens palpáveis e materiais, sobressaindo-se aos afetivos e espirituais. A avareza tira do homem a satisfação em dividir, presentear e conviver em grupos sociais. Só o seu mundo inconstante em busca de bens passa a fazer sentido, o medo de perdê-lo faz com que se isole cada vez mais.
O pecado da avareza opõe-se à virtude da generosidade. O homem deixa de ser generoso com o próximo, apegando-se ao dinheiro e à necessidade de gastá-lo em algo que possa reter. É através da generosidade que o homem atinge a sua essência universal, a avareza corrói esta virtude, aflorando a parte mesquinha do gênero humano, fazendo dele uma ilha isolada.

Sexto Pecado – A Gula

Sete Pecados Capitais
Os princípios básicos da sobrevivência de qualquer ser vivo na natureza, seja o homem ou os animais, estão na capacidade de comer e de fazer sexo. A comida garante que se mantenha vivo, o sexo que se perpetue como prole. Comida e sexo garantem a perpetuação da vida, através de um prazer que causa o bem estar de todo ser vivo.
Comer e beber faz parte da alegria humana, da garantia da sua sobrevivência. São prazeres que normalmente o homem transgride, fazendo da necessidade o desejo, resumindo-o à satisfação do desejo de um pecado venial, não ao prazer de sobreviver.
Ordenar o prazer natural que rege as nossas vidas nem sempre é possível, gerando o pecado da gula, que constitui numa procura intensa do prazer no beber e no comer. A razão esvai-se, sucumbindo ante da vontade. O apetite em excesso transforma-se na fome de viver, não no prazer dele se retirar a sobrevivência. A gula trava luta constante entre o prazer da carne e o crescimento espiritual, afastando o homem de Deus, que se torna no furor do seu apetite, negligente com a alimentação espiritual.
A gula é o pecado capital que contrasta com a virtude da temperança. Seus excessos levam à degradação do próprio corpo humano, que uma vez sendo alimentado com mais do que necessita, perde o seu equilíbrio natural e saudável. A saúde esvai-se se não mantida com a temperança.

Sétimo Pecado – A Luxúria

Sete Pecados Capitais
Se o sexo é o prazer que o homem tem no seu instinto básico para que se perpetue a sua prole, ele em excesso traz o vício, a desonra e o desequilíbrio da harmonia. A luxúria é a procura obsessiva e desordenada dos prazeres da carne, levando-nos ao vazio absoluto dos sentimentos.
A visão do sexo como luxúria torna este pecado capital o mais controverso no século XXI. A evolução moral da civilização judaico-cristã trouxe a chamada liberação sexual, em que o sexo passou a ser visto como fonte de prazer físico e psicológico e não apenas como função reprodutiva. Muito do que era visto como luxúria pela igreja medieval, foi diluída na liberação dos costumes sexuais da sociedade ocidental.
Mesmo diante da revolução sexual que aflorou na segunda metade do século XX, a visão do pecado da luxúria, o sexo em excesso, continua a ser a mesma que se apresentava quando o papa Gregório Magno criou a lista dos sete pecados capitais.
O dominicano Tomás de Aquino, classificava a luxúria em duas vertentes
A primeira, quando praticada contraria o bom senso e a razão, originando a fornicação excessiva, a agressão contra os princípios da castidade, o adultério entre os casais, e o incesto entre os membros da família; a segunda vertente de Tomás de Aquino é a luxúria que contraria a ordem natural do ato venéreo, como a sexualidade praticada entre pessoas do mesmo sexo. Se Tomás de Aquino utilizou a ética aristotélica em sua teologia dos sete pecados, com a luxúria ele deixa a filosofia grega, apegando-se aos preceitos judaico-cristãos, que condenam o homossexualismo, transformando o ato no mais grave dentro da luxúria, sendo visto como mais abominável do que o adultério e o incesto.
O pecado da luxúria opõe-se à virtude da castidade, muito apreciada pelo homem através dos séculos, mas que perdeu a importância da sua essência quando das mudanças culturais que a cristandade católica sofreu nas últimas décadas. A castidade embora minimizada, continua a ser uma virtude admirada, mas deixou de fazer parte essencial da sexualidade do homem contemporâneo.
Fonte: virtualiaomanifesto.blogspot.com